Por Lisiane Dos Santos Barbosa
O presente trabalho tem por objetivo mostrar que a leitura tem um papel fundamental no desenvolvimento da oralidade, bem como deve ser incentivada desde a mais tenra idade.
O trabalho foi desenvolvido com 12 crianças da educação infantil com idade entre 2 anos e 1 mês a 3 anos e 11 meses de uma escola de educação infantil do município de Cachoeirinha – RS.
Num primeiro momento foi feita uma rodinha, onde a professora colocou para os alunos qual atividade seria realizada, a mesma contou-lhes a história dos “Três porquinhos” de forma improvisada utilizando como recurso o avental de histórias, na qual em alguns momentos utilizou-se da participação dos alunos para representar a história. Após a contação da história a professora gravou seus alunos recontando a mesma de forma espontânea.
Como eram crianças com idade menor, e em se tratando de educação infantil com apenas uma professora em sala, ficou um pouco comprometido o desenvolvimento do mesmo, mas foram interessantes os resultados. Dos 12 alunos, 9 recontaram a história de forma espontânea, a seguir a transcrição de algumas das versões feitas pelas crianças.
Aluno 1: “... daí o lobo bateu na porta e o porquinho disse que não ia abri...”.
Aluno 2: “o lobo foi lá na casa do porco de camiseta azul, daí ele assopro (fruuuu), não daí ele bateu na porta (tututu), aí ele assopro, e não vo abri, então eu vo assopra até derruba, não conseguiu”.
Aluno 3: “o oibo, escondeu na foiesta e se coloco a ropa de veinha e foi ia na casa dos teis porquinho e disse não dexo tu entra porque eu sei que tu é o iobo”.
Das transcrições feitas foi possível perceber algumas diferentes na linguagem desses três alunos, o aluno 1 contou um fragmento da história que provavelmente foi o que mais lhe chamou a atenção, porém com pouquíssimos detalhes. Já o aluno 2, contou outro fragmentos da história, com muitos mais detalhes, inclusive colocando os sons do assopro e da batida na porta, enquanto que o aluno 3 apresentou uma linguagem oral bem comprometida pela troca de letras (L pelo I).
O que foi possível perceber no desenvolvimento dessa atividade, é que os alunos gostaram muito de ouvir a história, principalmente porque puderam interagir com a mesma e o recurso utilizado também chamou muito a atenção dos mesmos. Na educação infantil os recursos são indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer trabalho, principalmente os relacionados à leitura.
Se a criança for incentivada a ler da sua forma, mesmo que seja através de figuras, o gosto pela leitura se desenvolve e o desenvolvimento da oralidade, através de questionamentos e outras atividades ou até mesmo brincadeiras se concretiza, sendo que o mesmo é um trabalho que não para na educação infantil, ele deve seguir até a vida adulta.
Nesse contexto, é relevante colocar que o narrador de uma história também influencia o público, uma vez que a entonação de voz, a representação da interpretação do texto falam por si só. Por isso, segundo Zilberman (2006, p. 119) “[...]O narrar, por sua vez, supõe a presença de ouvintes, e estes não são indivíduos isolados, mas o grupo: a narração só tem sentido se dirigida ao coletivo. Pela mesma razão, depende da oralidade [...]”.
Assim, com tudo que foi observado no desenvolvimento da atividade, ficou aparente a necessidade da expressão oral, ou seja, do uso da fala como forma de comunicação mais eficiente, principalmente entre adultos e crianças, e o que envolve um bom desenvolvimento da linguagem oral é o uso da mesma e de forma correta, principalmente a pronuncia das palavras corretamente como o uso correto da entonação da voz para diferenciar situações como a expressão de sentimentos através da fala etc.
A criança, principalmente na faixa etária do presente estudo deve ser incentivada a ouvir mais e assim desenvolver a sua oralidade, no caso de usá-la para incentivar a leitura também é válido.
A oralidade é o modo mais notório da relação entre o nome e a coisa, mas a escrita, originalmente, não tem como objetivo romper essa unidade. A oralidade é igualmente expressão mais credenciada da memória, conforme o estudo sobre o narrador, aproximando não apenas as palavras e os seres, mas também as pessoas, falantes e ouvintes. (ZILBERMAN, 2006, p. 121-122).
Blog criado pela turma B do curso de Pedagogia do IFRS - Campus Porto Alegre.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
RELATÓRIO DE PRÁTICA DOCENTE
Por Aline Brendel e Juliana Polano
A atividade a ser descrita foi realizada com o intuito de testar o vocabulário de diferentes alunos da rede pública de ensino básico. Foram apresentadas palavras conhecidas, contidas na música “A casa”, do compositor Vinícius de Moraes, para que as crianças se utilizassem de sinônimos para as palavras destacadas.
A CASA
Vinícius de Moraes
“Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque pinico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na rua dos bobos
Número zero”
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque pinico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na rua dos bobos
Número zero”
Em um primeiro momento, a atividade foi realizada com o coletivo, onde os alunos do quarto ano do ensino fundamental, com idades entre nove e quinze anos, foram questionados se conheciam a canção. Alguns estavam previamente familiarizados, relacionando a uma canção infantil, outros foram lembrando-se conforme iam cantarolando. Após, estes foram contextualizados a realidade desta composição e suas características, quando já estavam estimulados ao exercício, ouviu- se a música, acompanhando a letra através de leitura.
Durante proposta de troca das palavras, pareceu fácil a eles, pois relacionaram com outras expressões também populares, mas ao serem exigidos de maior raciocínio, diminuiu o fluxo de participação e a grande apresentação de gírias que eram do conhecimento de todos.
Este trabalho foi proposto também para uma turma de segundo ano, com idades entre 8 e 10 anos. Num primeiro momento foi-lhes apresentado a canção, logo após os alunos aprenderam a cantá-la, o que foi surpreendente de constatar é que esses alunos não conheciam a música ou não interagiam por vergonha/medo.
Em seguida os alunos foram estímulados a trocarem a palavra casa por um sinônimo, levaram mais de quarenta segundos para perceberem que a palavra poderia ser trocada por casarão. Sendo assim, cantarolaram a música por duas vezes, depois foram trocando todas as outras palavras solicitadas e o interessante é que não se preocupavam com o rítmo da canção ou a leitura da mesma, apenas acrescentavam ao fim da palavra solicitada o encontro vocálico ão.
Ao realizar tal atividade percebe-se como a introdução da oralidade constante é necessária, pois os alunos que estão nas escolas teem um vocabulário muito pobre, fato esse que deve-se ao único estímulo que essas crianças recebem em suas casas: a televisão, o computador e o video game. Não há mais nas residências um diálogo constante, às vezes por falta de tempo e outras por falta de vontade, essa lacuna ao qual as crianças estão expostas diariamente acaba prejudicando o seu desempenho em aula, bem como a compreensão de muitas atividades escolares.
Segundo Wolf et al ( 2009): “A reflexão parte do pressuposto de que as bases pragmática, semântica, morfológica e fonológica da linguagem trabalhadas na oralidade favorecem o processamento da leitura e escritura, na medida em que incentivam o desenvolvimento da consciência linguística.”
Cabe então ao professor estimular a leitura, levar para a sala de aula novidades, proporcionar momentos de descobertas e desafios,para que esses alunos desenvolvam melhor a sua linguagem e a sua escrita. Não adianta cobrar bons textos e uma fala correta, se não for apresentado-lhes meios de evoluir nesses aspectos.
Considerações Finais
À partir do desenvolvimento dessa atividade constatou-se que o papel do professor do século XXI vai além de repassar conteúdos. Ele precisa estímular o aluno, instigá-lo a querer mais, despertar nessa criança o prazer pela leitura e fazê-la acreditar que pode conquistar o seu espaço na sociedade, bastanto saber comunicar-se fluentemente.
Fica registrato então, nesse pequeno texto, que as práticas docentes devem permear novos horizontes e cabe aos professores desta sociedade tão inovadora e tão tecnológica , trazer aos alunos conhecimentos antigos, como : diálogos, contos, histórias de fada e canções infantis . Coisas que se perderam conforme a evolução da sociedade e que deve-se urgentemente ser resgatada, para que os alunos aprendam a ser seres humanos e não apenas máquinas reprodutoras.
WOLF, Clarice Lehnen; NAZARI, Gracielle Tamiosso. A importância da oralidade no processo de alfabetização. Revista Digital do PPGL, Vol. 2, No 1 (2009) .
Projeto Integrador
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia
Curso: Pedagogia
Disciplina: Língua Portuguesa
Professora: Jaqueline Cunha
Alunas: Fernanda Santos de Galisteo
Margarete Zuboski de Oliveira
Maria da Graça Rolim Bello
Silvia Maria de Souza Flores
Desde o nascimento do ser humano a oralidade já está presente em todas as suas manifestações de comunicação com o meio, muito antes do surgimento da escrita.
A memória auditiva e visual são os recursos que permitem o armazenamento e a transmissão do conhecimento. Com essas habilidades sendo aprimorada durante o desenvolvimento dos indivíduos e com a inserção da criança na escola o professor pode utilizar a oralidade em diferentes atividades: brincadeiras cantadas, músicas e cantigas de roda, trava-línguas e parlendas, sempre são bem recebidas pelas crianças.
De forma lúdica, elas ampliam as possibilidades de comunicação e expressão e promovem o interesse pelos vários gêneros orais e escritos.
Segundo Zilberman (2006) ”a oralidade é o modo mais notório da relação entre o nome e a coisa, mas a escrita, originalmente, não tem como objetivo romper essa unidade. A oralidade é igualmente expressão mais credenciada da memória, conforme o estudo do narrador, aproximando não apenas as palavras e os seres, mas também as pessoas, falantes e ouvintes.”
Ao levar em conta a oralidade, não devemos esquecer que esta junto com a escrita constrói o pensamento de nossos alunos. Quando nosso aluno fala em voz alta, expressa sua opinião, defende um ponto de vista ele exercita o domínio da linguagem oral.
Desenvolver a oralidade é uma habilidade que nós educadores devemos priorizar desde os primeiros anos de escolaridade. Assim formaremos cidadãos com opinião, capazes de se posicionar em todos os âmbitos de sua vida.
EXPERIMENTOS
Foram desenvolvidas atividades em escolas diferentes apresentando realidades de grupo de alunos com características heterogêneas. Com o objetivo de exercitar a memória através da oralidade
No primeiro momento foi colocada a musica “A casa” de Toquinho para apreciação auditiva dos alunos, sem interferência do professor.
Após apreciação, os alunos cantaram e realizaram movimentos corporais livres de acordo com a música.
Em seguida foi apresentado o texto escrito com a proposta de substituir algumas palavras da música com coerência, buscando na memória acontecimentos ou sentimentos já vivenciados.
Como culminância foi solicitado a leitura das construções textuais para o restante da turma.
Foram momentos onde os alunos trocaram ideias, alegrias e vivências.
A construção textual número 2 foi um trabalho realizado com uma turma de 5º ano, logo após a Viagem às Missões, sonho de um ano inteiro, onde é feito uma série de atividades para arrecadar fundos para que todos os alunos possam participar, uma vez que o custo da viagem é bem alto para os padrões financeiros das famílias. Uma das atividades, é a venda de merenda na Escola.
A troca da letra da música chamou atenção justamente por ter sido um resgate da memória de tudo o que foi vivenciado durante todo o ano.
EXEMPLOS DE CONSTRUÇÕES TEXTUAIS.
1)A CASA
Era uma casa muito pesada
Não tinha amor, não tinha perdão
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha alegria
Ninguém podia dormir em paz
Porque na casa não tinha cama
Ninguém podia brincar
Porque boneca não tinha ali
Mas era feita com muito esforço
Na rua dos moços número 1000.
Aluna com 14 anos com deficiência múltipla.
2)A VIAGEM
Era uma viagem muito esperada
Não tinha dinheiro não tinha nada
Ninguém podia viajar
Porque os pais tinham que autorizar
Ninguém ficava sem vender lanche
Porque senão não viajava
Ninguém torcia pra não dar certo
Porque todo mundo queria ir
Mas com ajuda de todos
Conseguimos realizar o sonho
De ir para às Missões.
REFERÊNCIAS
ZILBERMAN, Regina. Memória entre oralidade e escrita. PUCRS Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 41, n. 3, p. 117-132, setembro, 2006.
Curso: Pedagogia
Disciplina: Língua Portuguesa
Professora: Jaqueline Cunha
Alunas: Fernanda Santos de Galisteo
Margarete Zuboski de Oliveira
Maria da Graça Rolim Bello
Silvia Maria de Souza Flores
Desde o nascimento do ser humano a oralidade já está presente em todas as suas manifestações de comunicação com o meio, muito antes do surgimento da escrita.
A memória auditiva e visual são os recursos que permitem o armazenamento e a transmissão do conhecimento. Com essas habilidades sendo aprimorada durante o desenvolvimento dos indivíduos e com a inserção da criança na escola o professor pode utilizar a oralidade em diferentes atividades: brincadeiras cantadas, músicas e cantigas de roda, trava-línguas e parlendas, sempre são bem recebidas pelas crianças.
De forma lúdica, elas ampliam as possibilidades de comunicação e expressão e promovem o interesse pelos vários gêneros orais e escritos.
Segundo Zilberman (2006) ”a oralidade é o modo mais notório da relação entre o nome e a coisa, mas a escrita, originalmente, não tem como objetivo romper essa unidade. A oralidade é igualmente expressão mais credenciada da memória, conforme o estudo do narrador, aproximando não apenas as palavras e os seres, mas também as pessoas, falantes e ouvintes.”
Ao levar em conta a oralidade, não devemos esquecer que esta junto com a escrita constrói o pensamento de nossos alunos. Quando nosso aluno fala em voz alta, expressa sua opinião, defende um ponto de vista ele exercita o domínio da linguagem oral.
Desenvolver a oralidade é uma habilidade que nós educadores devemos priorizar desde os primeiros anos de escolaridade. Assim formaremos cidadãos com opinião, capazes de se posicionar em todos os âmbitos de sua vida.
EXPERIMENTOS
Foram desenvolvidas atividades em escolas diferentes apresentando realidades de grupo de alunos com características heterogêneas. Com o objetivo de exercitar a memória através da oralidade
No primeiro momento foi colocada a musica “A casa” de Toquinho para apreciação auditiva dos alunos, sem interferência do professor.
Após apreciação, os alunos cantaram e realizaram movimentos corporais livres de acordo com a música.
Em seguida foi apresentado o texto escrito com a proposta de substituir algumas palavras da música com coerência, buscando na memória acontecimentos ou sentimentos já vivenciados.
Como culminância foi solicitado a leitura das construções textuais para o restante da turma.
Foram momentos onde os alunos trocaram ideias, alegrias e vivências.
A construção textual número 2 foi um trabalho realizado com uma turma de 5º ano, logo após a Viagem às Missões, sonho de um ano inteiro, onde é feito uma série de atividades para arrecadar fundos para que todos os alunos possam participar, uma vez que o custo da viagem é bem alto para os padrões financeiros das famílias. Uma das atividades, é a venda de merenda na Escola.
A troca da letra da música chamou atenção justamente por ter sido um resgate da memória de tudo o que foi vivenciado durante todo o ano.
EXEMPLOS DE CONSTRUÇÕES TEXTUAIS.
1)A CASA
Era uma casa muito pesada
Não tinha amor, não tinha perdão
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha alegria
Ninguém podia dormir em paz
Porque na casa não tinha cama
Ninguém podia brincar
Porque boneca não tinha ali
Mas era feita com muito esforço
Na rua dos moços número 1000.
Aluna com 14 anos com deficiência múltipla.
2)A VIAGEM
Era uma viagem muito esperada
Não tinha dinheiro não tinha nada
Ninguém podia viajar
Porque os pais tinham que autorizar
Ninguém ficava sem vender lanche
Porque senão não viajava
Ninguém torcia pra não dar certo
Porque todo mundo queria ir
Mas com ajuda de todos
Conseguimos realizar o sonho
De ir para às Missões.
REFERÊNCIAS
ZILBERMAN, Regina. Memória entre oralidade e escrita. PUCRS Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 41, n. 3, p. 117-132, setembro, 2006.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A oralidade como um instrumento de expressão utilizado pelas crianças
Por Cristiane Gomes, Deise de Souza e Gisèlle Freitas.
Professora Jaqueline
Cunha
A
linguagem pode ser entendida como um instrumento usado para comunicação e
expressão que se apresenta em diferentes formatos como a fala, a escrita, o
gesto, o desenho, a dramatização ou também como uma atividade de interação em
que, por intermédio dela, os indivíduos praticam ações, que envolvem tanto fala
quanto escrita, considerando o contexto envolvido no ato comunicativo. Segundo Travaglia (2002, p.23),
(...) o
que o indivíduo faz ao usar a língua não é tão-somente traduzir e exteriorizar
um pensamento, ou transmitir informações a outrem, mas sim realizar ações,
agir, atuar sobre o interlocutor (ouvinte/leitor). A linguagem é, pois, um
lugar de interação humana, de interação comunicativa pela produção de efeitos
de sentido entre interlocutores, em uma dada situação de comunicação e em um
contexto sócio-histórico e ideológico. Os usuários da língua ou interlocutores
interagem enquanto sujeitos que ocupam lugares sociais e “falam” e “ouvem”
desses lugares de acordo com formações imaginárias (imagens) que a sociedade
estabeleceu para tais lugares sociais (...).
Observando as crianças, podemos perceber que
através da linguagem (falada, escrita ou corporal) elas demonstram seu
entendimento a respeito dos acontecimentos, suas expectativas e sonhos, seus
sentimentos e anseios bem como suas vivências relacionadas ao contexto
histórico-sócio e cultural ao qual estão envolvidas. Nesse sentido, a oralidade
mostra-se como importante ferramenta para narração e expressão da criança assim
como para sua integração ao grupo (familiar ou escolar), sendo a memorização
obtida através das experiências, que possibilita essa expressividade. Regina
Zilberman (2006, p. 117-132) ao se reportar ao texto de Walter Benjamin (1985)
diz que “as pessoas contam o que experimentaram, o que se aloja em sua memória.
Quando querem esquecer experiências negativas, ficam sem ter o que contar. O
narrar, por sua vez, supõe a presença de ouvintes, e estes não são indivíduos
isolados, mas o grupo: a narração só tem sentido se dirigida ao coletivo”.
Em nossa profissão torna-se importante conhecermos esses conceitos, pois no ambiente escolar é possível desenvolver um trabalho de linguagem que explore a oralidade e proporcione a ampliação do vocabulário das crianças. Em muitos casos, a escola é o único espaço em que elas têm liberdade de expressão e acesso a conhecimentos informativos e formativos.
A
PESQUISA
A partir
do estudo sobre oralidade, na disciplina de Língua Portuguesa, do curso de
Pedagogia, no IFRS – campus Porto Alegre, por sugestão da professora Jaqueline
Cunha, foram realizadas atividades de observação do desenvolvimento desse aspecto
nos estudantes das turmas em que atuamos profissionalmente. Nossa pesquisa foi
realizada em uma turma de 2° ano, em que as crianças possuem em média de 7 a 8
anos de idade, na qual foram aplicadas duas atividades sendo a primeira
desenvolvida apenas oralmente e a segunda, unindo também a escrita. Para sua
realização foram escolhidas duas músicas pertencentes ao universo infantil, de
acordo com a faixa etária dos estudantes, sendo elas, respectivamente, “Fui
morar numa casinha”, de sabedoria popular e “A casa”, de Vinicius de Morais.
Primeiramente, as crianças cantavam a música “da casinha” em sua forma original
e depois, oralmente e em grupos, criavam variações utilizando a ideia de tipos de
moradia. Num segundo momento, foi
apresentada a música “A casa” e explorada em princípio como canto e depois como
escrita. As crianças reescreveram a letra
da mesma criando suas próprias versões individualmente. Observamos que no caso
da segunda atividade, na versão escrita pelas crianças, houve uma ligação com o
universo dos Contos de Fadas talvez pelo fato de a letra da música começar com
a frase “Era uma casa (...)” semelhante ao que acontece com esse tipo de
história que inicia com “Era uma vez”. As crianças também fizeram associações
com fatos de seu cotidiano, com seus medos e com criações de seu imaginário
típicas dessa faixa etária. A facilidade no entendimento e na realização da
atividade também chamou nossa atenção bem como a desenvoltura e a criatividade
das crianças observadas durante seu desenvolvimento.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Através
da pesquisa, constatamos que possibilitar atividades em que através da
oralidade as crianças possam expressar-se, auxilia-as na acomodação e no
entendimento de questões que para elas são complexas como, por exemplo, os
seres imaginários. Percebemos também que
elas buscam em suas vivências subsídios para realizar suas produções, tanto
orais como escritas, e que essas devem ser observadas com muita atenção, pois nos
ajudam a conhecê-las melhor e a entender suas atitudes em sala de aula. Verificamos
que, por meio de estímulos e de atividades de experimentação, o professor
estará oportunizando ao aluno a ampliação de seu conhecimento, o enriquecimento
de sua experiência de vida e o preenchimento de seu eixo paradigmático, visto
que aumentará o campo lexical e semântico do mesmo. Deixamos aqui o convite a
todos nós, professores, para refletirmos a respeito da pergunta: Em minha
prática pedagógica dou oportunidade e espaço para meus alunos se expressarem
através da oralidade?
Referências
Bibliográficas:
TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2002. (1ª edição: 1995).
ZILBERMAN, Regina. Memória entre oralidade e escrita. PUCRS Letras de Hoje. Porto
Alegre, v. 41, n. 3, p. 117-132, setembro, 2006.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Texto coletivo - Professora Jaqueline Rosa da Cunha
Foram realizadas atividades de pesquisa sobre Oralidade em nossas respectivas turmas e a partir dos relatórios, elaboramos textos coletivos relatando e contextualizando essa experiência.
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